Lançamento do Programa Respeito Dá o Tom

Lançamento do Programa Respeito Dá o Tom

O programa de igualdade racial da Aegea, Respeito dá o tom,  foi lançado oficialmente em Campo Grande. No evento, diretores da companhia apresentaram o projeto que começa a ser desenvolvido em todas as unidades, em parceria com o Instituto Identidades do Brasil-ID_BR, que promove a causa Sim à Igualdade Racial.

300 convidados participaram do lançamento, entre autoridades das esferas estaduais e municipal, como o prefeito de Campo Grande, deputados estaduais, secretários do governo do estado e do município, vereadores, dirigentes de autarquias, empresas e de instituições sociais. Também estiveram presentes as principais lideranças do movimento negro sul-matogrossense, personalidades da sociedade civil, jornalistas e diretores de veículos de comunicação. As unidades da Aegea foram representadas por seus diretores regionais e funcionários-membros dos comitês de igualdade racial já implantados.

Abrindo o evento, os convidados assistiram ao vídeo produzido especialmente para marcar o lançamento do programa Respeito dá o tom, tendo como protagonistas funcionários negros de todas as regionais da Aegea. Eles deram depoimentos sobre situações de racismo a que foram expostos e dificuldades que enfrentaram para a inclusão no mercado de trabalho. Também falaram sobre o quotidiano na empresa, o ambiente de respeito que encontram junto aos demais funcionários e gestores e as ações afirmativas que a Aegea já realiza.

 

A solenidade

Nos pronunciamentos, diretores da Aegea falaram sobre a atuação da empresa, o programa, as ações a serem desenvolvidas e o engajamento da companhia na causa da igualdade racial. O diretor regional Radamés Andrade Casseb lembrou que a companhia tem não apenas o desafio de concretizar a universalização dos serviços de saneamento nas 48 cidades em que atua, como também “a missão de influenciar e liderar o processo de prestação de serviços, que vai além de entregar água e tratar esgoto”. Radamés disse que a Aegea quer deixar um legado na vida das pessoas das comunidades atendidas por seus serviços. Lembrando que, embora  mais da metade da população brasileira seja formada por negros e pardos, apenas 5% dos executivos são negros e pardos no mundo corporativo.  “Isso não representa o Brasil”, disse o executivo da Aegea, convidando todos os representantes do poder público e da sociedade civil a compartilhar a iniciativa de promover a causa e gerar oportunidades de trabalho para os negros.

O diretor executivo da Águas Guariroba, Josélio Raymundo, contou sua experiência pessoal de 10 anos de trabalho no grupo Aegea. Iniciou como coordenador da área de operações, voltado para distribuição de água, foi promovido a gerente de operações, posteriormente ajudou a implantar o projeto de universalização de saneamento em Piracicaba e retornou em 2015 a Campo Grande para assumir a diretoria executiva. Para Josélio, “A Aegea sempre promove desafios e, como negro, eu nunca tive impedimentos para ascender profissionalmente na empresa”. Josélio lembrou, contudo, que nas reuniões de direção veem-se poucos negros em cargos de gestão. “Por isso a empresa abraçou a ideia de promover equidade no quadro de funcionários”, disse Josélio que falou sobre a implantação do programa Respeito dá o tom. “Começamos formando um grupo e passamos a convidar instituições públicas, como o Conselho dos Direitos dos Negros-Cedine, para nos ajudar a montar um plano de ações efetivo. Campo Grande foi escolhida como cidade piloto pela Aegea e a partir daqui iremos expandir para todas as unidades, cada uma com suas peculiaridades. Para isso tem sido imprescindível o apoio da área de recursos humanos da empresa, fazendo parceria com empresas que realizam recrutamento de negros para o mercado de trabalho em vários segmentos”.

Ainda segundo Josélio, “O desafio, quando se olha para um evento como este, é entender que esta platéia de convidados reflete o Brasil real. Então nossa proposta é que este salão esteja representado dentro da companhia. A partir de agora a empresa quer ser uma escada com o mesmo número de degraus para todos, independente de raça ou gênero”.

O diretor executivo da região de Matão, Piracicaba e Holambra, Marcos Araújo, também deu seu depoimento pessoal, com 20 anos trabalhando no saneamento e já tendo morado em 28 cidades. Marcos Araújo, também negro, disse que o Programa Respeito dá o tom amplia os grandes desafios da empresa e com isso resultará em conquistas ainda maiores. “Nosso objetivo é ser uma empresa que representa cada uma das cidades que atende. Para disseminar a cultura de ações afirmativas de igualdade racial, estamos estruturando 15 comitês regionais”.

Marcos Araújo informou que o próximo passo do planejamento será realizar um censo nas concessionárias, para levantar os dados relacionados à raça no quadro de funcionários. “Essa etapa é fundamental para que possamos entender a fundo o cenário do grupo Aegea e definir de forma bastante assertiva os resultados que queremos alcançar”, disse Araújo. O diretor falou ainda sobre ações de médio prazo a serem desenvolvidas, como “incluir nossos fornecedores nessa rede em prol da igualdade racial e oferecer em nossa Academia Aegea, a todos os funcionários, treinamento sobre temáticas relacionadas à diversidade, começando pela questão da equidade racial”.

 

Parceria com o ID_BR

Diretora executiva do Instituto Brasil Identidades ID_BR, Luana Génot disse que “Em um cenário em que o número de negros em cargos de direção dentro das empresas é muito baixo, a Aegea dá exemplo para o país  como um todo”. Militante negra há muitos anos, tendo participado de várias campanhas do segmento no Brasil e em vários outros países, Luana Génot parabenizou os funcionários e convidados por participarem desse momento inesquecível: “Esta é uma noite do sim à igualdade racial, onde nos é dado o poder de assumir nossa identidade étnico-racial”. Luana falou sobre o trabalho do Instituto Brasil Identidades e destacou que a Aegea está, a partir de agora, entre algumas das maiores empresas do país que apoiam essa causa. Os diretores da Aegea receberam das mãos de Luana Génot o selo Sim à Igualdade Racial, concedido a empresas ue se comprometem a trabalhar para que o mercado de trabalho tenha participação proporcional à maioria de negro e pardos na população do país. Após seu pronunciamento, Luana Génot convidou voluntários entre os convidados para participar do “Jogo do privilégio branco”, dinâmica de grupo que demonstra perfeitamente a exclusão a que a população negra está exposta e de que forma ela se perpetuam desigualdades motivadas pela cor da pela para a grande maioria dos trabalhadores.

 

Os homenageados

No lançamento do programa Respeito dá o tom duas personalidades da população negra foram convidadas a falar aos convidados. Primeiro, a procuradora Jaceguara Dantas da Silva Passos, do Ministério Público Estadual, considerou uma “iniciativa inédita em Mato Grosso do Sul o programa da Aegea de combater o racismo por meio da inclusão. Vejo com grande alegria esse projeto, que é extremamente importante pelo exemplo que esta empresa nacional dá hoje. Isso certamente irá se traduzir em oportunidade de emprego para a população negra do nosso estado”. A procuradora lembrou que fez parte do grupo de universitários militantes que lutou pela igualdade racial há 30 anos e informou que pela primeira vez o Ministério Público terá sistema de cota em seus concursos para promotores. Para Jaceguara, o mais importante é que “a sociedade sul-matogrossense saia do seu silencio com esse movimento, este marco que representa a noite de hoje, para que o respeito sempre dê o tom”.

Encerrando os pronunciamentos do evento, falou uma das mais importantes personalidades de Mato Grosso do Sul, o professor Aleixo Paraguassú Netto, que foi juiz de direito, secretário de estado de segurança e de educação, e fundador do Instituto Luther King, que se dedica a promover oportunidades aos jovens negros. Para o doutor Paraguassú, “Trata-se de uma data histórica não apenas para a população negra, mas para toda a sociedade sul-matogrossense”. O juiz lembrou as muitas dificuldades para os que se dispõem a fazer políticas e ações afirmativas, enfrentando o racismo enraizado em muitos segmentos da vida brasileira. Segundo o juiz, “Quando uma empresa do porte da Aegea, com presença na economia nacional, resolve abraçar a causa da inclusão racial, isso se reflete não apenas na cidade e no estado, mas em todo o mercado de trabalho. Todos ganham e o país se torna mais justo”. Doutor Aleixo Paraguassú disse que “O convite da empresa para participar deste evento jamais sairá da memória de cada convidado aqui presente e entra para sempre na história de nosso estado”.

 

Noite de arte negra

Todo o evento teve seu conceito voltado para a temática. Além da solenidade e do coquetel, os convidados foram recebidos com exposições de obras de arte e objetos artesanais concebidos por artistas negros como a pintora Erica Pedraza, o escultor Galvão Preto e o Coletivo de Mulheres Negras de Mato Grosso do Sul Raimunda Luzia de Brito, que produz bonecas negras, além dos turbantes afros da ativista Ângela Epifânio. Peças produzidas por comunidades negras de diversas regiões onde a Aegea atua também foram expostas, sinalizando a expansão do programa por toda a companhia. Fechando o evento, o grupo de roda de samba de fundo de quintal Sampri, formado apenas por cantoras e instrumentistas negras, apresentou um show em homenagem aos funcionários e convidados da Aegea.

 

COQUETEL

 EXPOSIÇÃO

 TURBANTES

SOLENIDADE

DISCURSO PROCURADORA

DISCURSO JUIZ

ENTREGA SELO

 SHOW